domingo, 30 de outubro de 2016

Esses pregadores
que pregam
as minhas dores
no varal
da vida
Esses pregadores
que seguram
a minha pele
que escorre no sol
pra secar
Os pregadores
que apertam
os meus sentimentos
que me apertam
nesse varal
nessa linha
fina
que é
a
vida


Nó

Me diz como desfaz 
esse nó
que tu deu na minha garganta 
e no meu peito
que quando eu deito
a dor aperta 
esse nó 
bem feito




domingo, 4 de setembro de 2016

Pode falar

Oi, quer conversar? só jogar conversa fora, sem prestar atenção no tempo, sem olhar a hora. Sem esconder os sentimentos, me mostra o que te atormenta e fala sobre cada momento. Me conta o que aconteceu no teu dia, porque sobreviver um dia inteiro nesse mundo é uma alegria. Me fala o que te assusta, o que te deixa feliz, o que te irrita, e o que te arrepia. Me conta o que tu viu, o que tu ouviu, o que tu sentiu. Me fala sobre o alinhamento dos planetas, sobre a lua no céu, sobre o barulho dos carros passando na rua, me fala sobre ti, deixa a tua alma nua. Não precisa ter vergonha, pode se despir, porque a tua alma é linda, e cada parte dela me faz sorrir. Fica um pouquinho mais, mesmo que a nossa conversa não envolva palavras. O teu silêncio é encantador, e eu gosto de ficar encantada. Fala sobre as folhas que caem com o vento, sobre os pássaros que voam no céu, sobre a criança que atravessa a rua de mão dada com a mãe, sobre o que tu tomou no café da manhã. Fala, só fala. Eu quero te ouvir, então pode falar. Não tá incomodando, e nem vai incomodar. A gente pode sair, caminhar, contar quantos passos leva até chegar em algum lugar. Contar quantas pedras existem nessas ruas, e dar um nome a cada uma delas. Falar bobagem, rir atoa até a barriga doer. Eu sou masoquista quando se trata da dor do riso, então me faz sofrer.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Tu é?

A gente aprende que nem sempre o que nos assusta pode nos machucar. E que nem tudo que nos machuca teve a intenção. E se teve, a gente sabe que aguentou, porque ainda tá aí pra contar a história. E sabe que contar a história nos fortalece, porque nos lembra do que a gente é capaz. E nós somos capazes de muita coisa. Somos capazes de ser, e ser é muito esquisito, porque ser é estar presente, e estar presente às vezes se ausenta, mas sabe que em breve voltará. E quando volta, volta com tudo, e com nada. O tudo que é estar, e o nada que já esteve. E ser é, constantemente, uma luta, porque muitos são, muitos serão, muitos foram. Mas ser presente é particular, e cada um com a sua particularidade, é.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Calma, vai passar.
Mas espera, espera.
Se tu quiser, eu posso querer
E se nós quisermos?
Espera.
E se tu não quiser?
E eu que quero?
Como fico?
Fico?
Vou?
Deito?
Choro?
Chamo?
Vivo?
Não.
Morro.



terça-feira, 14 de junho de 2016

Queria

Queria ser os óculos que te fazem enxergar o mundo 
Queria ser o brinco que fica preso na tua orelha 
Queria ser o blusão que te esquenta nesse frio 
Queria ser o colar que envolve o teu pescoço 
Queria ser a calça que veste as tuas pernas
Queria ser o all star que calça os teus pés 
Queria ser o mundo em que tu vive 
Queria viver contigo no mundo 
Queria ser o teu mundo 
Queria ser
Queria 

domingo, 12 de junho de 2016

Música

Pegou o fone.
Encaixou no ouvido.
Ouviu.
Sentiu.
Partiu.
Pra outro mundo
Outra vida
Outro lugar
Foi.
Tirou o fone.
Voltou.
Doeu.
Sentiu
A vida.

domingo, 5 de junho de 2016

Morta

Encontro a vida na morte, e a felicidade em uma caixa de remédios.
Meu sono fica guardado em uma cartela, ao lado de uma bula, e as marcas no corpo mostram o tédio. O medo. O assédio. A vida.
A vida, que me faz pensar na morte. A morte, que me faz pensar na vida. A vida, que me faz lembrar do passado. O passado, que faz pensar no futuro. O futuro, que me assusta e me faz pensar na morte. A morte, que faz pensar na vida. A vida.
Penso na morte.
Anseio por vida.
Anseio viver.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Vida

Doeu
Dói
Vai doer;
Passou
Passa
Vai passar;
Marcou
Marca
Vai marcar;
Cicatriza
Cicatrizou
Vai cicatrizar;
Viveu
Vive
Vai viver!



quinta-feira, 21 de abril de 2016

Talvez

Quer conhecer o mundo, mas tem medo de sair do quarto. Quer amar e ser amada, mas tem medo de ser magoada.       
Quer viver e sentir, mas tem medo da vida. Necessita sair e voar, mas tem receio do que pode encontrar.         
Sente dor e tristeza, mas sabe que um dia sua vida valerá a pena. Anseia por felicidade e alegria, quer viver o que vive quando lê seus livros de fantasia.  
Fala e grita, mas nunca é compreendida. Chora, morre um pouquinho a cada dia, mas é forte e consegue encontrar a alegria.                
Fica dividida entre o sim e o não, e acha que a vida é mais do que isso. Encontra sentido no talvez, pois só assim consegue ter esperança.         
Talvez conheça o mundo, talvez crie coragem para sair do quarto, talvez seja amada, talvez viva, talvez seja feliz, talvez seja compreendida. Talvez.        

quinta-feira, 24 de março de 2016

Nós


Chegou
Do nada;
Me deixou assim
Apaixonada;
Sentou
Conversou
Sorriu;
Mostrou
Quem é
Quem foi
Quem será;
Saiu
Foi embora;
E quem ficou
Foi eu
Que aqui escreve;
E chora




sexta-feira, 4 de março de 2016

Passou

Rasgou, apertou, sufocou.
O pânico entrou e não quis mais sair.
Mas saiu, junto com a esperança.
Passou, junto com a vida.