segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Quando eu era criança, sempre queria brincar à noite na rua. 
Minha mãe nunca deixou. 
Ela dizia que lá fora não era seguro, o melhor mesmo era aqui dentro. 
Aqui dentro era silencioso. O silêncio sempre foi perigoso. 
Aqui dentro era muito quieto, e eu conseguia escutar o barulho de dentro de mim. 
Aqui dentro sempre foi mais perigoso que lá fora, mãe.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Continuo em busca de respostas, pra perguntas que eu ainda nem sei quais são. Às vezes a vida me deixa triste, e até agora eu não sei lidar com isso. Não sei lidar, não sei viver. Viver, pra que? por que? pra quem? por mim? nem sei. O cansaço me deixa triste, e me impede de continuar. Levantar às vezes é complicado, pesado. Meus olhos querem fechar, mas minha cabeça gira, gira, gira. Na maioria das vezes, eu não consigo entender por que continuar. Subitamente eu crio coragem, e enxergo uma luz, que me abraça e diz que tudo pode ficar bem. E aí a luz apaga, e eu fico no escuro. Sozinha. De novo. Meu riso falso e mentiroso me deixa assustada, mas a mentira conforta as pessoas à minha volta. Tudo bem.
Pra quem?
Não pra mim.
Eu escrevo coisas que eu não sinto, porque o que eu sinto me estapeia. Isso é estar viva?
A lágrima que cai pelo meu rosto encontra meu peito, e aí eu deito, e o teto vira um espetáculo. E eu fico horas assim, até que o sono me abraça, e cuida de mim.
Temporariamente.
Assim como a vida.
Dolorida.
Alguns dias as coisas simplesmente não dão certo.
Algumas semanas, as coisas fogem do controle.
O riso não vem.
22:00h
Solitária, só o medo e a tristeza acompanham.
De mãos dadas com o azar. Tropeça em cada rua.
Com as pálpebras pesadas, e os pés que insistem em não se mover.
O sono anda ao lado, abraçado, deitado nas costas.
23:00
Curvada.
Pesada.
Cansada de deitar.
As costas já doem mais do que o coração.
O silêncio grita ao pé do ouvido.
Zumbido.
00:00
A cabeça encostada no travesseiro.
Os olhos cansados de enxergar.
O corpo cansado de existir.
Será que ainda existe?
Deitada. Triste.
01:00






quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Tapa

Uma vez minha mãe me contou que quando eu nasci, eu não chorei. Ela falou que o médico precisou me dar um tapa pra que o choro preso dentro de mim fosse embora.
Eu explodi em lágrimas e gritos.
Eu cresci e continuei chorando.
Chorei quando caí de bicicleta e machuquei o joelho.
Chorei quando meu cachorro morreu.
Chorei quando o menino que eu gostava disse que não gostava de mim.
Chorei quando minha sobrinha nasceu.
Chorei quando meu irmão foi embora.
Quando eu adotei meu primeiro gato.
Chorei quando meu pai ficou uma semana em uma cama de hospital.
Quando os meus amigos me deixaram.
Chorei quando eu fui embora. E quando eu voltei, chorei porque minha avó não lembrava mais de mim.
De todas as vezes que eu chorei, minha mãe me abraçou e disse que tudo ia ficar bem.
Tudo ficou bem.
Às vezes eu ainda choro. Quando isso acontece, eu lembro do que ela me dizia:
"Trancar o choro? Oras, isso é absurdo. Cada lágrima que escorre do teu rosto é uma dor que vai embora, então deixa ir."
Eu me perguntei várias vezes como pode uma pessoa ter tanta dor dentro de sí.
Às vezes eu acho que é porque eu sinto muito. Em outras, porque eu não sinto nada.
Não maioria das vezes, é porque eu simplesmente estou aqui, e estar aqui faz chorar.
Tudo bem.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Marrom

Caiu, e ficou ali.
Deitada, pisoteada
Invisível, esquecida
Ignorada
Perdida
Inútil.
Pra quem?
Esperando alguém
Que goste de folhas secas
Que não tem mais cor
Depois da dor da queda
Mas que ainda é bela
Pra ela
Que também é folha
Seca
E que já teve cor
Um dia.

Receio

Me perdoa, se às vezes é difícil manter um diálogo ao teu lado. 
É o meu medo de ser  julgado. 
Já fui. 

domingo, 12 de fevereiro de 2017